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25 Anos de Chernobyl

Em 26 de Abril de 1986, Prypiat – Ucrânia (antiga União Soviética), Usina Nuclear de Chernobyl, Reator nº IV. A 25 anos atrás ocorria um dos maiores acidentes radioativos  que mudaria a historia!

  • A Usina Nuclear

A Usina Nuclear de Chernobyl, esta localizada em Prypiat – Ucrânia, 18 km a noroeste de Chernobyl (ou Chernobil) e a 16 km da fronteira com a Bielorrússia, cerca de 110 km de Kiev, capital da Ucrânia. O “complexo” teve sua construção na década de 70 e foi projetada para comportar 6 reatores nuclaeres, sendo o Reator nº I comissionado em 1977, seguido pelos Reatores nº II, III e IV em 1978, 1981 e 1983 respectivamente. Os Reatores  nº V e VI estavam em construção na época do acidente. Cada reator era capaz de produzir 1 gigawatt de energia elétrica, que na época os 4 reatores representavam 10% da energia utilizada pela Ucrânia.

RBMK-1000 Chernobyl

Reatores (Unit) I, II, III e IV de Chernobyl

As imagens acima foram retiradas dos site Global Security (http://www.globalsecurity.org/wmd/world/russia/rbmk.htm) e RBMK é um acrônimo de “Reaktor Bolshoi Moschnosti Kanalynyi” (Reator de Canaletas de Alta Potência – Channelized Large Power Reactor).

Uma coisa é muito importante de se lembrar que o assentamento, logo Cidade de  Prypiat, foi projetada para receber um população dos operários, engenheiros e futuros funcionários da Usina, por este motivo ela localizava-se tão próxima a Usina.

  • O Acidente

Sábado, por volta de 1 hora da madrugada, hora local, o Reator nº IV (Chermobyl-4), sofre uma explosão de vapor seguido de um incêndio que resultou em outras explosões e o derretimento nuclear.

Derretimento nuclear ocorre quando o núcleo de um reator nuclear deixa de ser apropriadamente controlado e resfriado devido a falhas no sistema de controle ou no sistema de segurança nuclear, fazendo com que estruturas de combustível do reator (contendo urânio ou plutônio e produtos de fissão altamente radioativos) comecem a sobreaquecer e a derreter-se.

Chermobyl-4 após explosão

  • Causas

Duas teorias foram mencionadas, e um tando contraditórias: 1986, época do acidente, falha humana – atribuida aos funcionarios e operadores da usina; 1991, erro no projeto do reator RBMK – falha das hastes de segurança. Teorias muito defendidas por grupos opostos na época, o que tudo leva a crer hoje é que ambas as teorias, o conjutos dos fatores, falha humana e falha no projeto do reator levaram a sua explosão.

Fato, que o Engº Chefe Anatoly Dyatlov, responsável pelo teste dos reatores, mesmo sabendo que o reator era perigoso em algumas condições e contra os parâmetros de segurança dispostos no manual de operação, levou a efeito intencionalmente a realização de um teste de redução de potência que resultou no desastre. Particularmente, vejo que muitos fatos foram ignorados, mesmo pela situção na antiga União Soviética, muito membros da equipe eram do “PARTIDO” e ninguém ficava contra o “PARTIDO”! Fato, também que a maioria dos “ESPECIALISTAS” não tinham experiência suficiente para operar um reator do porte do RBMK-1000, pois o próprio Engº Chefe Anatoly Dyatlov só tinha experiência com pequenos reatores.

Segundo algumas opniões, após minhas pesquisas sobre o assunto na internet, encontrei um comentário interressante:

  • O reator tinha um fração de vazio (processo de destilação, corresponde a fração de vapor presente em um escoamento bifásico) positivo perigosamente alto. Dito de forma simples, isto significa que se bolhas de vapor se formam na água de resfriamento, a reação nuclear se acelera, levando à sobrevelocidade se não houver intervenção. Pior, com carga baixa, este coeficiente a vazio não era compensado por outros fatores, os quais tornavam o reator instável e perigoso. Os operadores não tinham conhecimento deste perigo e isto não era intuitivo para um operador não treinado.
  • Um defeito mais significativo do reator era o projeto das hastes de controle. Num reator nuclear, hastes de controle são inseridas no reator para diminuir a reação. Entretanto, no projeto do reator RBMK, as pontas das hastes de controle eram feitas de grafite e os extensores (as áreas finais das hastes de controle acima das pontas, medindo um metro de comprimento) eram ocas e cheias de água, enquanto o resto da haste – a parte realmente funcional que absorve os nêutrons e portanto pára a reação – era feita de carbono-boro. Com este projeto, quando as hastes eram inseridas no reator, as pontas de grafite deslocavam uma quantidade do resfriador (água). Isto aumenta a taxa de fissão nuclear, uma vez que o grafite é um moderador de nêutrons mais potente. Então nos primeiros segundos após a ativação das hastes de controle, a potência do reator aumenta, em vez de diminuir, como desejado. Este comportamento do equipamento não é intuitivo (ao contrário, o esperado seria que a potência começasse a baixar imediatamente), e, principalmente, não era de conhecimento dos operadores.
  • Os operadores violaram procedimentos, possivelmente porque eles ignoravam os defeitos de projeto do reator. Também muitos procedimentos irregulares contribuíram para causar o acidente. Um deles foi a comunicação ineficiente entre os escritórios de segurança (na capital, Kiev) e os operadores encarregados do experimento conduzido naquela noite.

NOTA: Neste último comentário, lembra do que falei sobre o “PARTIDO”, qual era o horário que os fatos levarão ao acidente!

Outro fato publicado em Agosto de 1986 no relatório oficial do Governo foi que os operadores desligaram muitos sistemas de proteção, ignorando assim as recomendações dos guias técnicos, salvo se houvesse mau funcionamento do reator. Outro fato que o mesmo guia proibia a operação do reator com menos de 15 hastes dentro da zona do núcleo, sendo que os operadores removeram pelo menos 204 hastes das 211 existente neste reator.

Sequência de Eventos

  • 26 de abril de 1986 – Acidente no reator 4, da Central Elétrica Nuclear de Chernobil. Aconteceu à noite, entre 25 e 26 de abril de 1986, durante um teste. A equipe operacional planejou testar se as turbinas poderiam produzir energia suficiente para manter as bombas do líquido de refrigeração funcionando, no caso de uma perda de potência, até que o gerador de emergência, a óleo diesel, fosse ativado. Para prevenir o bom andamento do teste do reator, foram desligados os sistemas de segurança. Para o teste, o reator teve que ter sua capacidade operacional reduzida para 25%. Este procedimento não saiu de acordo com planejado. Por razões desconhecidas, o nível de potência de reator caiu para menos de 1% e por isso a potência teve que ser aumentada. Mas 30 segundos depois do começo do teste, houve um aumento de potência repentina e inesperada. O sistema de segurança do reator, que deveria ter parado a reação de cadeia, falhou. Em frações de segundo, o nível de potência e temperatura subiram em demasia. O reator ficou descontrolado. Houve uma explosão violenta. A cobertura de proteção, de 1000 toneladas, não resistiu. A temperatura de mais de 2000°C, derreteu as hastes de controle. A grafite que cobria o reator pegou fogo. Material radiativo começou a ser lançado na atmosfera.
  • de 26 de abril até 4 de maio de 1986 – a maior parte da radiação foi emitida nos primeiros dez dias.

    Mapa mostrando o avanço da radiação após o acidente (Baseado em informações da CIA)

    Inicialmente houve predominância de ventos norte e noroeste. No final de abril o vento mudou para sul e sudeste. As chuvas locais frequentes fizeram com que a radiação fosse distribuída local e regionalmente.

  • de 27 de abril a 5 de maio de 1986 – aproximadamente 1800 helicópteros jogaram cerca de 5000 toneladas de material extintor, como areia e chumbo, sobre o reator que ainda queimava.
  • 27 de abril de 1986 – os habitantes da cidade de Pripyat foram evacuados.
  • 28 de abril 1986, 23 horasum laboratório de pesquisas nucleares da Dinamarca anunciou a ocorrência do acidente nuclear em Chernobil.
  • 29 de abril de 1986 - o acidente nuclear de Chernobil foi divulgado como notícia pela primeira vez, na Alemanha.
  • até 5 de maio 1986 – durante os 10 dias após o acidente, 130 mil pessoas foram evacuadas.
  • 6 de maio de 1986 – cessou a emissão radioativa.
  • de 15 a 16 de maio de 1986 – novos focos de incêndio e emissão radioativa.
  • 23 de maio de 1986 – o governo soviético ordenou a distribuição de solução de iodo à população.

    O "sarcófago" que abriga o reator 4, construído para conter a radiação liberada pelo acidente

  • Novembro de 1986 – o “sarcófago” que abriga o reator foi concluído. Ele destina-se a absorver a radiação e conter o combustível remanescente. Considerado uma medida provisória e construído para durar de 20 a 30 anos, seu maior problema é a falta de estabilidade, pois, como foi construído às pressas, há risco de ferrugem nas vigas.
  • 1989 – o governo russo embargou a construção dos reatores 5 e 6 da usina.
  • 12 de dezembro de 2000depois de várias negociações internacionais, a usina de Chernobil foi desativada.

A principal pergunta é a que fica:

  • O que aprendemos com Chernobyl?
  • Estamos seguros?
  • Como esta Chernobyl, e Prypait hoje?

São muitas as perguntas, e poucas respostas! Hoje, após 25 anos deste terrível acidente radioativo, estamos vendo na mídia outra acidente, não semelhante nas suas causas, mas com consequências parecidas para nós! O Tsunami que atingiu o Japão fez com que o mundo olhasse novamente para a Energia Nuclear, aos poucos isso vai se apagando de nosso dia-a-dia, caindo em nosso esquecimento, por isso, através de  palavras não é capaz de demonstrar no que se transformou Chernobyl, somente imagens podem dizer isso!

Chernobyl 25 Anos

Placa com símbolo que alerta sobre risco de radioatividade está fixada em frente ao sarcófogo que cobre as instalações da usina de Chernobyl

Desenho de criança, com aparência de alguém sob efeitos da quimioterapia, pode ser visto em parede próximo à usina de Chernobyl, em Prypiat, Ucrânia, onde há 25 anos ocorreu o pior acidente nuclear da história. Uma explosão liberou radiação 400 vezes maior do que a bomba atômica de Hiroshima. O desastre deixou milhares de doentes e contamina até hoje plantações e florestas

Sarcófago que cobre o reator danificado da usina nuclear de Chernobyl figura na paisagem de Prypiat, cidade ucraniana que, com atraso, foi evacuada após o desastre

Destroços e camas velhas expõem abandono de sala, onde, antes do acidente de Chernobyl, ocorriam aulas e atividades de jardim de infância, na cidade de Prypiat

Brinquedos são vistos espalhados no chão de uma antiga creche na cidade abandonada de Prypiat, onde há 25 anos, foi lançada na atmosfera uma nuvem radioativa, que atingiu grande parte da Europa

Em varanda de prédio abandonado, é possível observar o sarcófago sobre a usina de Chernobyl, que, após 25 anos do vazamento, ainda necessita de reforço na estrutura para conter a radioatividade

Máscara de gás e sapato estão expostos sobre mesa de creche na cidade abandonada de Prypiat, localizada na região onde, até hoje, crianças nascem com problemas de saúde devido à tragédia

Na cidade ucraniana de Chernobyl, homem visita monumento recém-inaugurado, em homenagem as vilas e cidades que foram evacuadas e "morreram" devido à catástrofe nuclear

Reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, onde o vazamento teve início, segue presente na paisagem da cidade-fantasma de Pripyat, na Ucrânia

Bonecas de crianças e máscaras de gás compõem cenário de salas abandonadas na cidade de Pripyat

Fotos: Após 25 anos, aspecto de Chernobyl é de terra arrasada – Portal Terra (http://noticias.terra.com.br/mundo/fotos/0,,OI152875-EI294-TGAP,00-Apos+anos+aspecto+de+Chernobyl+e+de+terra+arrasada.html) Link Recomendado: RBMK Reactor – GlobaSecurity.ORG (http://www.globalsecurity.org/wmd/world/russia/rbmk.htm)

PostHeaderIcon Tsunami x Química Nuclear

Olá,

A triste tragédia que nos abalou nesta semana que passou, o terremoto e o conseqüente tsunami, que arrasou com o Japão, traz a tona novamente a Energia Nuclear. O Japão com um terreno onde não possui rios propícios para construção de hidrelétricas, tem como o uso da Energia Nuclear o meio de produção de energia elétrica.

Com o tsunami, uma de suas usinas, a Usina Nuclear de Fukushima, teve avariado seu sistema de resfriamento dos reatores, ocasionando posteriormente na sua explosão, e conseqüentemente afetando outros reatores que pareciam estar controlados.

Usina Antes e Depois do Tsunami

Imagens de satélite comparam a situação da usina nuclear de Fukushima em novembro de 2009 (à esquerda) e na sexta-feira (11), após o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão; usina sofreu explosão em um dos reatores no dia seguinte, sábado (12) (Foto: Reuters/GeoEye Satellite ) retirada do site G1

Usinas Nucleares, bombas instáveis ou seguras? Essa vai ser a pergunta que todos tem em mente, e claro, Chernobyl será lembrada e Goiânia, alguém lembrará?

Abraços